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Category Archives: Exposição

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Objetos/Oblíquos
Luciano Zanette
SESC Osasco
Visitação até 31 de dezembro de 2015


A exposição Objetos/Oblíquos do artista gaúcho Luciano Zanette, radicado em São Paulo desde 2008, dá continuidade à sua produção escultórica de mais de quinze anos com referências a objetos do mobiliário cotidiano atravessados conceitualmente por questões indicativas de modos de uso e eficiência, hábitos culturais brasileiros, ações de descanso e trabalho, situações de relações e confrontamentos, assim como interdições da aparente funcionalidade usual dos objetos e com isso gerando possíveis provocações no sentido de buscar evocar memórias corporais de experiências pessoais sensíveis do público. A mostra Objetos/Oblíquos foi idealizada para ocupar os espaços abertos do Sesc Osasco, no ano de 2015, sendo composta por nove (09) esculturas em metal (aço e bronze).


Luciano Zanette é artista visual nascido em Esteio (RS), fez sua formação acadêmica em artes visuais no Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Atualmente vive e trabalha na cidade de São Paulo. Onde ministra aulas de linguagem tridimensional e desenho no Centro Universitário Belas de São Paulo; ABRA Escola de Arte e Design cursos de desenho, pintura e história da arte e design; também ministrou cursos sobre escultura contemporânea no Museu da Imagem e do Som (MIS). Ganhou dois prêmios Açorianos (RS) em 2007 por sua exposição Mobiliário Melancólico no MACRS. Desde meados dos anos noventa tem mostrados regularmente seus trabalhos de escultura, instalação, site specific, desenho e pintura em instituições culturais de São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Florianópolis, Curitiba, João Pessoa, Recife, Natal, Brasília, Ribeirão Preto, Belém, Itália e EUA. Possui obras nos acervos do MACPR, MACRS, MARGS, FVCB.


Luciano Zanette
Esteio, RS, 1973
Vive e trabalha em São Paulo

Bacharel em escultura e mestre em poéticas visuais pelo Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do
Sul (UFRGS), especialista em Design para Movelaria pelo Centro Universitário SENAC de São Paulo. Em 2007 recebe
dois Prêmios Açorianos: Artista do Ano e Destaque Escultura pela exposição individual Mobiliário Melancólico (2006).

Exposições individuais

Objetos/Oblíquos, SESC Osasco (São Paulo, 2015)
Lugares de Estar, ABRA (São Paulo, 2015)
Que a Distância nos Guarde, Galeria Virgílio (São Paulo, 2012)
Passante, Projeto Vitrine Efêmera (Rio de Janeiro, 2010);
Torreão (Porto Alegre, 2008)
Desenhos de Gabinetes, Espaço Piloto–UnB (Brasília, 2008); MunA (Uberlândia, 2007)
Mobiliário Melancólico, MACRS (Porto Alegre, 2006)
Desvãos, Centro Cultural São Francisco (João Pessoa, 2002)
Habituário, Galeria Iberê Camargo – Usina do Gasômetro (Porto Alegre, 2001)
Descertezas, Casa de Cultura Mario Quintana (Porto Alegre, 2001)
Ausente, Centro de Artes Visuais Tambiá (João Pessoa, 2000)

Coletivas selecionadas

TRIO Bienal – Bienal Tridimensional Internacional do Rio (Rio de Janeiro, 2015)
Um Salto no Espaço, Fundação Vera Chaves Barcellos (Viamão, 2014)
Volúpia Construtiva, Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (Porto Alegre, 2014)
BR 2013,  Galeria Virgílio (São Paulo, 2013)
ENTRE, Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (Porto Alegre, 2013)
Cor, Cordis, Museu de Arte Contemporânea do Paraná (Curitiba, 2013)
Espelho Refletido: O Surrealismo e a Arte Contemporânea Brasileira, Centro Cultural Hélio Oiticica (Rio de Janeiro, 2012)
Nova Escultura Brasileira, Caixa Cultural (Rio de Janeiro, 2011)
Outra Relação, Museu Brasileiro da Escultura (São Paulo, 2011)
Octopus Garden, Central Galeria de Arte Contemporânea (São Paulo, 2011)
Proposição, Galeria Luciana Caravello Arte Contemporânea (Rio de Janeiro, 2011)
Salão Paranaense: Uma Retrospectiva, Museu Oscar Niemeyer (Curitiba, 2011-12)
Programa Rumos Visuais, Itaú Cultural (São Paulo, Curitiba e Rio de Janeiro, 2009-2010)

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À Prova do Corpo

Levantar. Andar. Sentar. Deitar. Nossos cotidianos são ritmados essas por ações aparentemente banais e inócuas, que incessamente se reiteram, se sucedem seguindo a pulsação do relógio e o decorrer dos dias. Por trás dessas repetições singelas se dissimulam uma coreografia normatizada por nossa sociedade que ensaiamos desde crianças. O mobiliário do dia-a-dia tem um protagonismo central nessa dança uma vez que ele sugere sub-reptícias etiquetas corporais. A adaptação e uniformização das posturas pelo mobiliário cotidiano é precisamente uma das premissas fundamentais na obra de Luciano Zanette.

De fato, o artista evidencia as estruturas de poder e submissão por trás das tipologias de mobiliário mais difundidas, que funcionam como ferramentas de contenção e adequação do corpo individual às normas e padrões de um corpo coletivo. Esse interesse já é latente em suas primeiras instalações, nas quais reconfigurava peças encontradas de mobiliário cotidiano investidos com uma certa carga afetiva.

Progressivamente, essa reflexão acerca dos condicionamentos insinuados por esses móveis foi se depurando e o artista começou a trabalhar com uma ideia mais abstrata e gráfica desse mobiliário em estruturas compostas e vazadas como as esculturas recentes do conjunto presente na mostra Objetos/Oblíquos. Apesar de tomarem forma de estruturas simplificadas e geometrizadas, as esculturas se referem às tipologias reconhecíveis de móveis que povoam nossas casas e escritórios: mesas, cadeiras, camas, entre outros. As composições de Zanette muitas vezes apresentam algum eixo deslocado ou um elemento que impossibilita a sua utilização, frustrando o apelo físico que esses móveis em tamanho real suscitam. É desnorteando o espectador, impossibilitando o uso desses objetos, que o artista aponta para nossas respostas corporais e automatismos escondidos diante desse mobiliário, assim como eles reverberam em valores e princípios difundidos na sociedade.

A cadeira usual, objeto recorrente no trabalho de Zanette, por exemplo, corresponde a um modo de sentar própriamente ocidental: o que implica uma postura na qual o tronco forma um ângulo reto com as coxas e, por sua vez, com os joelhos. No entanto, se trata apenas de uma entre outras fórmulas que existem em outras partes do mundo como sentar ajoelhado ou ainda de pernas cruzadas. Além do mais, essa cadeira, é sintomática da condição atual de crescente inatividade física e, por extensão, dos padrões de passividade que progressivamente imprime nos indivíduos [i].

Zanette se refere a essa contenção mental suscitada pela contenção física induzida pela posição sentada em Inscrição, escultura na qual uma cadeira de tamanho real parece contida em uma estrutura que denota um teto. A escultura sugere, por um lado, o conforto de uma casa, mas por outro, também um certo conformismo que essa comodidade pode ocasionar. Esse conforto domiciliar e sua relação com uma inércia conformista também é evocada em Estruturas do Hábito, que consiste em uma estrutura de aço vazada que resulta em um conglomerado de diferentes móveis: uma cama, cadeira, uma porta e um genuflexório. O espectador pode adentrar esse espaço da esfera privada, do quarto e da fé individual. O título é indicativo dos diferentes entendimentos do termo “estrutura” que permeiam os trabalhos do artista: a própria estrutura da escultura, a casa como metáfora de uma estrutura familiar, religiosa e social e, por fim, as estruturas comportamentais que esses diferentes agentes privilegiam.

A escultura Quatro Poderes é sintomática tanto da continuidade da reflexão sobre as diferentes implicações por trás do sentar e da cadeira, quanto de um direcionamento explicitamente político no trabalho recente de Luciano Zanette. A escultura consiste em quatro cadeiras equilibradas por uma de suas pernas é mais longa do que as outras. Cada perna prolongada é levemente inclinada de maneira a que as pernas das diferentes cadeiras se cruzem em um ponto, possibilitando um equilíbrio. Desta maneira, por estarem em altura e inclinadas, o uso das cadeiras fica impossibilitado. A altura e dificuldade de acesso remetem à história dessa peça de mobiliário, que originalmente e durante muito tempo era atribuída a figuras de poder político ou religioso, antes de se tornar uma peça standard de mobiliário no século XIX [ii]. As quatro cadeiras inacessíveis, que representam os poderes executivo, legislativo, judiciário e o da mídia, se apoiam uma na outra em uma configuração frágil, mas que ainda assim mantém o seu equilíbrio.

Para além das camadas e leituras políticas do trabalho recente de Zanette, dessas estruturas frias norteadas pelo que parecem linhas de força matemáticas e impessoais, parece sempre se desprender uma certa melancolia. De fato, as estruturas parecem suspensas em um estado de desequilíbrio, sem nenhum resquício de individualidade e na constante iminência da queda do conjunto. Talvez porque essas estruturas que ditam suas próprias regras resistem as resiliências e organicidades do corpo de cada indivíduo e que, em última instância, foram elaborados à prova dos corpos que as habitam.

Olivia Ardui
2015

[i] Peter Opsvik, Rethinking Sitting, New York, 2009. Capítulos: Our passive Present e Post-industrialized societies (p. 14-15).

[ii] Idem. Capítulo: The chair and the authority (p. 22-23).


Luciano Zanette, Estruturas do Hábito, 2015, aço e pintura eletrostática, 190 x 190 x 160 cm. Foto Filipe Berndt

Luciano Zanette

Quatro Poderes

2015

aço e pintura eletrostática

500 x 335 x 335 cm

Exposição Objetos/Oblíquos
SESC Osasco

Foto Filipe Berndt

Luciano Zanette

Conformismo

2015

aço e pintura eletrostática

100 x 100 x 90 cm

Exposição Objetos/Oblíquos
SESC Osasco

Foto Filipe Berndt

Luciano Zanette

Estruturas do Hábito

2015

aço e pintura eletrostática

190 x 190 x 160 cm

Exposição Objetos/Oblíquos
SESC Osasco

Foto Filipe Berndt

Luciano Zanette

Ocaso

2015

aço e pintura eletrostática

100 x 50 x 50 cm

Exposição Objetos/Oblíquos
SESC Osasco

Foto Filipe Berndt

Luciano Zanette

Inscrição

2015

aço e pintura eletrostática

170 x 50 x 120 cm

Exposição Objetos/Oblíquos
SESC Osasco

Foto Filipe Berndt

Luciano Zanette

Disrupção: Letras tontas, linhas tantas

2015

aço e pintura eletrostática

255 x 455 x 455 cm

Exposição Objetos/Oblíquos
SESC Osasco

Foto Filipe Berndt

.

Luciano Zanette

Confronto

2015

bronze, aço e pintura eletrostática

180 x 45 x 45 cm

Exposição Objetos/Oblíquos
SESC OSASCO

Foto Filipe Berndt

Neoarte.net / Soluções fotográficas para o mercado de arte.

Luciano Zanette
Confronto
2015
bronze, aço e pintura eletrostática
180 x 45 x 45 cm

Exposição Objetos/Oblíquos
SESC Osasco

Foto Filipe Berndt

Um Salto no Vazio_Yves KleinFVCB_UmSaltonoEspaco_CONVITEDIGITAL
UM SALTO NO ESPAÇO

A exposição reúne um grupo expressivo de artistas brasileiros e alguns artistas europeus de diversas gerações, com trabalhos que apresentam desde a ocupação do espaço real à sua representação virtual, do espaço íntimo ao espaço urbano, do universo psicológico ao território social, da reconstrução ficcional ao documento do real, do cheio ao vazio, do sólido ao etéreo, da presença material ao jogo da imaginação.

Participam de Um Salto no Espaço: Angelo Venosa, Anna Bella Geiger, Claudio Goulart, Clovis Dariano, Daniel Acosta, Daniel Santiago, Elaine Tedesco, Eliane Prolik, Flávio Damm, Goto, Lucia Koch, Luciano Zanette, Marlies Ritter, Mario Röhnelt, Nelson Wiegert, Michel Zózimo, Pedro Escosteguy, Regina Silveira, Regina Vater, Rochelle Costi, Romy Pocztaruk e Vera Chaves Barcellos, além da participação especial de Grégoire Dupond e Yves Klein.

Consolidando-se como uma instituição que difunde a produção artística contemporânea e estimula o debate em torno dela, a Fundação Vera Chaves Barcellos segue na promoção de encontros com artistas, palestras com teóricos e visitas mediadas, apostando, através do seu Programa Educativo, no potencial socialmente transformador da arte.

UM SALTO NO ESPAÇO
Abertura: 23 de Agosto de 2014
Visitação: De 25 de agosto a 29 de novembro
http://fvcb.com.br

O DESENHO NO ACERVO DO MACRS - Volúpia Construtiva - 2014_divulgação ALTA

O DESENHO NO ACERVO DO MACRS

 

O Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul inaugura na próxima sexta-feira dia 27 de junho de 2014, às 19h, a exposição Volúpia Construtiva?  Prazer e Ordenamento em Desenho sobre Papel no Acervo do MACRS, apresentando 32 artistas da coleção do Museu, entre trabalhos históricos e aquisições recentes, com curadoria de Eduardo Veras, na galeria Sotero Cosme. Visitação até 10 de agosto.

 

Não é raro que o desenho e o gesto de desenhar apareçam associados à livre expressão criativa. Haveria uma espécie de ventura ? um prazer, uma alegria ? na experiência de meramente tomar um lápis e fazê-lo percorrer o espaço em branco.

Tampouco é incomum que o desenho seja compreendido como um dos meios mais eficazes para a formulação ou o desenvolvimento de uma ideia. O desenho se presta bem para arquitetar pensamentos. Não por acaso, seguidamente, apresenta-se como sinônimo de projeto.

Mais estranho é que essas duas forças ? a glória de fazer brotar imagens no papel e a virtude da elaboração intelectual ? sejam percebidas em alinhamento, correndo em um mesmo sentido. Daí o mote desta exposição.

Volúpia construtiva examina como, no mesmo plano, com frequência se combinam vetores que apenas na aparência estariam em oposição. Essa percepção emerge de uma pesquisa junto ao acervo do Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul. Não corresponde a um levantamento exaustivo da seção de desenhos dessa coleção, menos ainda equivale a um panorama da produção rio-grandense em torno dessa categoria de trabalhos ou de suas possibilidades expandidas. Propõe antes um recorte que sinaliza o convívio ? por vezes tensionado ? entre a volúpia criativa e o ordenamento construtivo.

Eduardo Veras
Professor do Instituto de Artes da UFRGS e membro do Comitê de Curadoria e Acervo do MACRS

ARTISTAS:  ALEXANDRE COPÊS, ALEXANDRE MOREIRA, ANANDA KUHN, ANICO HERSKOVITS, CARLOS ASP,DUDI MAIA ROSA, EDUARDO HAESBAERT, EDUARDO KICKHÖFEL, EDUARDO NASI,EDU OLIVEIRA, ELAINE TEDESCO,  ELLOAR GUAZZELLI FILHO, GERSON REICHERT, GISELA WAETGE, GUILHERME DABLE, JAILTON MOREIRA, JANDER RAMA, JOÃO LUIZ ROTH, JORGE MENNA BARRETO, LEÓN FERRARI, LUCIANO ZANETTE, MÁRCIA TIBURI, MARCOS FIORAVANTE, MARTA PENTER, MAYANA REDIN, MILTON KURTZ, ROGÉRIO LIVI, ROSELI JAHN, SONIA LABOIRIAU, TADAO ANDO, TERESA POESTER E VIVIANE PASQUAL.

 

Abertura da exposição dia 27 de junho de 2014 às 19h.

Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul

Galeria Sotero Cosme, Rua dos Andradas, 736, 6º andar,

Casa de Cultura Mario Quintana

Visitação de 28 de junho a 10 de agosto de 2014.

Segunda das 14h às 18h, de terça a sexta das 10h às 19h, sábados, domingos e feriados das 12h às 19h.

Informações: +55 51 3221 5900 / E-mail: mac@sedac.rs.gov.br

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